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[20 Feb 2006|12:52pm] |

is over, kids.
ouvi a voz do Senhor esses dias, e ela me exortava a diminuir um pouco a exposicao online. por enquanto, estarei apenas por aqui, em ingles ruim. mas eu sou voluvel e posso voltar, quem sabe.
algum usuario do Livejournal sabe se e' possivel selecionar de uma so' vez todos os posts como friends only? agradeco qualquer ajuda.
good night and thank you.
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| Valentine's |
[14 Feb 2006|09:15am] |
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sneezing |
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The wrong girl, B&S |
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raramento participo das discussoes das comunidades orkutianas, apesar de estar inscrita em quase duzentas. em muitas delas simplesmente nao vale a pena. mesmo nas que se dispoem 'a seriedade - e prinicipalmente nessas - fica patente que o ser humano e' um troco por demais complicado. desde o final de semana tenho acompanhado uma discussao na comunidade de Espiritismo que tem gerado uma controversia dos diabos. para mim, a questao e' simples, e resolvi dar a minha opiniao na esperanca de ajudar a esclarecer as coisas (eu conheco a obra de Kardec razoavelmente desde os meus 19 anos). adiantou? nao adiantou. e as pessoas ficam la', chovendo no molhado, discutindo um assunto que ja' esta' mais do que explicado. aceita quem quer - ou quem pode. so' que quando alguem esta' realmente a fim de ferrar com alguma coisa, ele vai fazer isso sob quaisquer cirscunstancias. mesmo que ele enxergue que as coisas nao sao como ele pensa, o espirito de porco fala mais alto e a pessoa fica la', arrumando argumentacoes sem base e fazendo todo mundo arrancar os cabelos. eu me nego a dar atencao a esses tipos, e nao quero nem mais acompanhar a discussao pra nao ficar com raiva.
outra comunidade pretensamente seria mas que ja' virou uma piada (vou la' sempre que quero rir um poouco) e' a comunidade de ocultismo. ha' os que realmente sabem das coisas (uns 10%), os que sabem um pouco mas ficam cheios de si se achando os bruxoes, os que nao sabem droga nenhuma mas se acham os bruxoes assim mesmo (essas duas ultimas categorias sao a grande maioria e as piores, diga-se de passagem), e os que nao sabem nada mas tem interesse em aprender (os bruxoes adoram esses, por terem oportunidade de exercitar sua prepotencia). eles ficam la', falando em metaforas, ou falam uma frase e completam com um solene "por enquanto 'e tudo o que eu posso dizer" (que significa o mesmo que "sou um privilegiado que recebeu o conhecimento arcano, e nao posso sair espalhando dessa forma, tenha muito medo"). igualmente causa-me muitas risadas quando eles comecam a falar mal dos cristaos: "so' podia ser cristao", "o problema dessa galera e' que ela e' muito cristianizada e nao consegue perceber isso"... faca-me o favor.
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acho que finalmente peguei um resfriado.
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nessa casa, voce sabe que a temperatura fica abaixo de zero quando seus pes comecam a congelar. e' porque a casa tem um probleminha de aquecimento que nao deixa segurar o calor eficientemente quando a coisa fica feia la' fora. entao as areas mais distantes do aquecedor, como a cozinha, sala de jantar e lavanderia ficam geladas. na sala de jantar tem um segundo aquecedor, mas gracas a crise de gas natural - que fez o preco do negocio subir absurdamente - nao estamos ligando esse. entao eu tenho que criar estrategias para usar a cozinha, como escolher a hora do dia em que esta' menos frio. quem disse que ser pobre nos Estados Unidos e' facil?
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hoje e' Valentine's Day e eu mais uma vez preciso encarar a minha impotencia, ja' que nao tenho um dolar furado pra dar uma prenda pro meu marido. sinceramente espero que ele nao me traga nada, pois assim nao me sinto tao mal.
e Happy Valentine's pra voces que estao fora da patria mae e como eu tratando de respeitosamente cultivar os costumes alheios.
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| layout novo e leis esdruxulas |
[13 Feb 2006|11:12pm] |
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mood |
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sleepy |
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A rush and a push and the land is ours, Smiths |
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layout novo, romantiquinho. juro que nao foi por querer, mas vai saber o que se passa no inconsciente. os overrides do livejournal sao sempre um horror pra se configurar. como eu nao sei programar essa droga, cato um template qualquer por ai' e modifico tudo. ate' ficar do jeito que eu quero haja tempo e uma paciencia de Jo'. esse aqui ainda nao esta' legal, em alguns posts a data/hora gruda no titulo, sabe-se la' porque. mas minha paciencia ja' esgotou e nao vou procurar saber.
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ha' dias em que a falta de energia predomina e ate' fazer coisas que dao prazer vira sacrificio, que dira' as que a gente nao tem tanto prazer assim. Deus sabe com que esforco fui pra cozinha hoje, porque nao teve jeito mesmo. nossa grande descoberta nas ultimas semanas sao os milagrosos hot-dogs de peru, uma delicia e facilimos de preparar. em dias como o de hoje nao tem coisa melhor.
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nego-me veementemente a cair no American life style e encher a geladeira de coisas apetitosas e prontas, que voce poe no microondas e em cinco minutos tem um belo almoco - porem cheio de calorias, acucares e carboidratos. nao admira que uma grande parte da populacao americana esteja acima do peso. o americano gosta muito de praticidade; eu tambem adoro, so' que nesse caso prefiro passar duas horas na cozinha e comer direitinho - uma bela salada de alface, arroz integral, um franguinho bem temperado com alho, bem 'a brasileira (o povo daqui nao e' muito de temperar as carnes, nao). e na pior das hipoteses, os famigerados hot-dogs de peru.
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essa eu nao contei: a umas tres semanas atras fomos ao supermercado e, como fazemos algumas vezes, finalizamos as compras com dois ou tres packs de cerveja de seis garrafinhas cada. as compras passam normalmente pelo caixa e caem nas maos da empacotadora, uma menina de uns dezesseis anos de idade. ela guarda todos os itens. menos as cervejas. a outra garota, a do caixa, e' que deixa o posto para colocar as cervejas nas sacolas de plastico.
"e' que menores de idade nao podem tocar em bebidas alcoolicas aqui", ela explica.
meu marido balanca a cabeca, vociferando contra as leis medievais da cidade; eu fui rindo ate' o carro.
ate' uns dois meses atras a lei nao permitia a venda de bebidas alcoolicas aos domingos. felizmente foi derrubada, e agora pelo menos os restaurantes podem vender suas biritinhas em paz.
mas tem coisa pior: em Cadiz, cidade vizinha a dos meus sogros, nao se vende alcool em nenhuma hipotese, em dia nenhum da semana.
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| 31 Cancoes - parte I |
[13 Feb 2006|10:04am] |
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mood |
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nostalgic |
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music |
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Overjoyed, Stevie Wonder |
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ontem fiquei um tempao pensando naquela historia do 31 cancoes, e a coisa foi mais complicada do que eu pensei que seria. isso porque estou tendo que revirar minha vida na minha cabeca, e 'as vezes me vem, como zumbis, fatos ja' enterrados, doloridos. e eu os tenho muitos, ja' que eu sou velha, pessoas, em pouco tempo estarei completando a quarta decada de vida, e isso nao e' pouco. mas ha' muitas coisas boas tambem. e eu nao posso me queixar de ter me divertido pouco, de nao ter conhecido pessoas interessantissimas e incomuns, de ter vivido, enfim. porem, nao gostaria nem por um minuto de voltar aos meus dias de infancia ou de adolescencia, nem aos meus vinte e poucos. porque, apesar das coisas boas, tudo foi entremeado por muito sofrimento, muito sentimento de inadequacao, muitos problemas. acho que comecei a ser gente de verdade, que comecei a me reconhecer de verdade depois dos 28 anos, ou depois do que nos estudantes das estrelas chamamos "retorno de Saturno". se na minha proxima encarnacao eu passar direto da fase bebe pros 28 anos nao vou reclamar. mesmo. ser crianca/adolescente/pos-adolescente foi dificilimo pra mim, por uma serie de razoes. muito embora tenha sido gracas a essas mesmas experiencias desagradaveis que sou a pessoa de hoje.
ainda nao terminei a lista, porem acho que que ja' posso comecar a contar pra voces quais sao elas e um pouquinho do que aconteceu junto.
1. A Menina e o Poeta, Roberto Carlos. "Mas o poeta foi um dia E até hoje não voltou Ninguém sabe o caminho Que o poeta levou O vento que foi com ele Um dia por lá voltou Mas só que voltou sozinho E a menina chorou"
raras sao as pessoas que nao tem uma musiquinha do Roberto Carlos no curriculo - vai ver por isso mesmo o chamam de "Rei". eu nao fui excessao. meu pai sempre foi uma pessoa muito musical e, apesar de nao tocar instrumento nenhum nem cantar, sempre foi apaixonado por musica - de gosto duvidoso, mas musica. minha primeira infancia foi regada 'a muito Roberto Carlos, Luiz Airao e Benito di Paula. poderia citar muitas musicas desses caras que me fazem ficar com cara de boba, mas como a lista tem um limite e ainda tem muita vida pela frente, cito esta do Roberto que tem uma letra linda e o poder de fazer uma menina de cinco anos de idade chorar escondida enquanto finge brincar no balanco.
2. If I can't have you, Yvonne Elliman " If I can't have you, I don't want nobody baby If I can't have you ah ah"
esquecam as bandinhas de criancas cantantes; na minha epoca nao haviam coisas como "Balao Magico", "Trem da Alegria", nao (e se houvessem, eu com certeza acharia uma droga, ja' que tinha tanta coisa mais interessante pra se ouvir). minto: havia um grupinho de meninas pubescentes chamado "A Patotinha", que cantavam musicas de roda com vozinhas retardadas. mas eu tinha um pai que me comprava discos fabulosos, como coletaneas "retro" de rock'n'roll da decada de 50 e a trilha sonora de "Os embalos de sabado 'a noite". perdi a conta das tardes dancantes ao som de Bee Gees, criando coreografias inspirada pelas fotos de John Travolta na capa dupla do album. eu ainda nao tinha idade para ir ao cinema ver o filme, infelizmente, mas a trilha sonora jamais saiu do meu coracao. minha preferida era essa faixa da Yvonne Elliman que eu tocava repetidamente enquanto ensaiava meus passinhos de danca. inesquecivel.
3. Summer Nights, da trilha sonora do filme Grease "Summer lovin', had me a blast Summer lovin', happened so fast Met a girl crazy for me Met a boy cute as can be Summer days drifting away To, uh oh, those summer nights" essa musica tocava no radio incessantemente nos idos de 78 e eu, como sonhava em ser uma estrela de musical americano, encaixei-a eficientemente nas minhas viagens. foi uma das musicas mais utilizadas por mim nas minhas brincadeiras solitarias de atriz-cantora-bailarina.
4. Overjoyed, Stevie Wonder "And though you don't believe that they do They do come true For did my dreams Come true when I looked at you And maybe too, if you would believe You too might be Overjoyed, over loved, over me"
melancolia pouca e' bobagem. perdi a conta das vezes que chorei no banco de tras do carro de meu pai ao som dessa musica, nas nossas voltas pra casa de algum passeio. dizem que esse disco foi lancado em 85, mas na minha cabeca eu tinha menos de 14 anos quando essa musica tocava nas radios. eu me emocionava facil com ela, principalmente com a instrumental, tao delicada e bela. eu sempre fui muito sensivel e triste porque nao me reconhecia como crianca, tinha uma cabeca muito velha pras meninas da minha idade e sofria porque essa cabeca estava num corpinho pequeno e magrinho. pelo mesmo motivo nao tinha amigos, e era muito discriminada na escola pela timidez, juntando-se ao fato de que minhas notas eram altas sem esforco nenhum. eu ganhava apelidinhos e o estereotipo de "metida" cresceu comigo. nesse cenario, a musica e os livros eram meus companheiros inseparaveis, meus melhores amigos. evidentemente que eu queria morrer quando precisava ir pra escola, e a coisa chegou num apice perigoso no ano em que completei 14 anos. mas isso e' assunto pra uma outra musica.
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| caravanas |
[09 Feb 2006|10:34pm] |
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mood |
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thoughtful |
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"I wanna be adored", Stone Roses |
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'as vezes, ainda fico um pouco chateada com certas opinioes e julgamentos. porque ninguem melhor do que eu para saber o quanto elas sao falsas e sem fundamento, e me sinto injusticada. so' que, justamente por esse motivo eu deveria parar de dar atencao 'a essas coisas. sei muito bem que certos julgamentos errados brotam de recalques dos "juizes", e se embarcarmos nessas viagens, acabamos tao neuroticos quanto eles.
e por isso, depois de muito refletir, decidi que nao vou mais ficar alimentando pensamentos negativos de "nossa, por que sera' que fulano disse essas coisas? o que foi que eu fiz?" e acabar me sentindo desamada e me justificar e etc. me justificar de que, cara palida? sei bem da minha vida, sei bem o que sinto e penso a respeito das coisas, e isso e' o bastante. e se alguem pensa diferente sobre a minha vida e o que sinto e penso a respeito das coisas, nao e' problema meu.
como bem diz o Principe, eu preciso aprender a me divertir com esse tipo de coisa. quem estiver realmente interessado vai se aproximar e buscar a verdade. e se preferir se guiar por ideias falsas e a partir delas construir um personagem - que evidentemente vai refletir apenas suas proprias neuras - ai' a coisa ja' muda de sentido. vira ma' fe'.
e como diz a sabedoria popular, os caes ladram e a caravana passa.
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eu nao sei se ainda nao consertaram o CSS do Livejournal, ou se ja' consertaram e o bagulho ficou baguncado mesmo e cada um que arrume a sua casa agora. porque meu layout nao voltou ao normal desde ontem. algo me diz que vou ter que dar um jeito nisso com minhas proprias maos. ja' tava na hora de mudar o visual disso aqui mesmo.
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a Keka escreveu um post muito legal sobre gostos e personalidade, sobre se mostrar atraves de musica, e de quebra, inspirada por um livro do Nick Hornby chamado "31 Cancoes", incitou os leitores a pensarem em musicas importantes e em que momentos elas adentraram suas vidas. a um tempo atras eu criei uma lista assim, cheguei ate' a grava'-las num cd e dar de presente pro meu marido, que na epoca era namorado. so' que foi uma lista que cobria apenas uma fase da minha vida, e muita, mas muita coisa mesmo ficou de fora. acho que vou comecar a pensar no meu 31 cancoes de forma mais cuidadosa e responsavel. posto aqui assim que tiver pronto.
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| normalidade de vez em quando faz bem |
[08 Feb 2006|10:04am] |
[nao estranhe se esse LJ parecer estranho neste momento. os mantenedores estao fazendo uns reparos basicos e logo a coisa volta ao normal.]
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quando alguem me escreve pedindo pra contar as novidades, minha cabeca da' um no'. contar o que? nada acontece por aqui. minha vidinha segue, na mais absoluta tranquilidade ja' experimentada, com os afazeres de sempre, a rotina de sempre. estou bem, obrigado. apesar do frio, nao peguei nem um resfriadinho; minhas crises de ansiedade parecem terem saido a passeio (e espero que nunca mais voltem); marido trabalhando loucamente e, em consequencia disso, minhas idas 'a cozinha e 'a lavanderia sao mais frequentes; muitas ideias e poucas maos (e tempo) para realiza-las; ja' comeco a planejar muito palidamente minha viagem ao Brasil, embora ainda nao saiba quando sera'.
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sinto que mudei um bocado neste ultimos meses. talvez as pessoas percebam. acho que fiquei mais tranquila. acho que os ultimos resquicios mais fortes de uma adolescencia que teimava em ir embora finalmente se apagaram. acho. acordo cedo e vou pra cama cedo, bebo o minimo possivel. os pes estao mais plantados no chao do que nunca, e deixei de dar importancia a uma porcao de coisas. acho que o casamento tem me feito bem - apesar de algumas coisas que ainda nao estao como eu quero, mas eu chego la'. e nao so' o casamento, mas a mudanca de ares em geral. apesar do periodo de adaptacao dificil e sofrido, em que me vi literalmente sem ninguem pra segurar a minha mao, foi como se tivesse renascido num lugar melhor. essa semana estava me lembrando de minha casa no Brasil, de todos os problemas e de como eu me sentia presa, estagnada, aquela sensacao sufocante de tempo parado e coisa alguma acontecendo... as pessoas todas vivendo as mesmas vidas, sem promessa de crescimento e eu ali, morrendo junto com elas. apesar de sempre ter batalhado por tudo o que quis, a sensacao que eu tinha era a de que, por mais que eu me esforcasse, as coisas continuariam como sempre foram. que bom que acabou.
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a coisa mais chata e' perceber que um lado mais conservador meu tem aflorado com mais forca tambem. eu sempre fui muito liberal com o comportamento das pessoas, mas sempre que eu tentava fazer algo com a mesma liberalidade acabava me sentindo muito culpada - principalmente porque sempre senti que era uma pessoa muito visada e que a qualquer "deslize" meu sempre tinha alguem disposto a fazer a minha caveira, mesmo que esse alguem fizesse ainda pior... pois bem, acho que me convenci de que furar certas "regras" nao combina mesmo comigo. sera' isso ruim?
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nevou durante todo o final de semana, delicia. apesar de belo, da' uma pontinha de tristeza sempre que vem o sol e derrete tudo. se antes eu ja' amava o inverno, agora entao...
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no sabado, apos uma mistureba de margarita com duas Newscastles, fomos a um festival medieval aqui perto. eu sabia que seria algo bem amador, sem muita fidelidade 'a epoca, mas valeu pela alegria das pessoas em estarem realizando aquilo. deixei de lado meu espirito ultra critico e pensei nas semanas de ensaio, no entusiasmo de todos por estarem largando por alguns instantes suas vidas normais para fazerem algo realmente especial, e acabei me envolvendo.
no domingo, enxaqueca braba. os remedios daqui causam em mim o mesmo efeito de pilula de farinha, entao o jeito e' sofrer quietinha embaixo do cobertor. e manter a promessa de nunca mais misturar bebidas na proxima vez.
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site pronto. vao la' ver.
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| pra relaxar |
[04 Feb 2006|07:00pm] |
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mood |
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calm |
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music |
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Get me away from here, I'm dying, B&S |
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eu tenho escrito muito sobre coisas serias, e nao gosto disso. gente seria todo o tempo e' muito chato.
portanto, pra desopilar, vou postar o survey que copiei da bela Marie.
Ator Robert de Niro. queridinho: Johnny Depp Atriz Nicole Kidman. queridinha: Winona Ryder O que você nunca faria: maltratar bicho Pasta de dente: aquela da turma da Monica, com gosto de tutti-frutti (nao sei se ainda fabricam) Parte do corpo do homem que mais gosta: gosto da alma, dos olhos e de pernas. Cantora: Lisa Gerrard Homem bonito: Russel Crowe Mulher bonita: Louise Brooks Comida: sushi Sonho de consumo: atualmente, bicicleta + camera digital. Coisa que mais gosta de comprar: material de desenho + livros O que você não usaria: coisas com estampa de oncinha, tigrinho, etc. + roupas de SM + casacos de peles Sabonete: Dove O que vc gostaria de fazer hoje: estar bebendo num boteco do Brasil com com meu irmao e amigos, ouvindo Nelson Goncalves e comendo peixe frito com limao Que loja você gostaria de assaltar: a Casa Cruz Tipo de homem: corajoso Defeito: muitos. o que mais me confunde e' ser meio extremista 'as vezes. Bebida: cerveja escura Loja: Saraiva Refrigerante: Mineirinho Flor: copo-de-leite Revista: Rock Press + Superinteressante Gênio: Leonardo da Vinci Cantor: Brendan Perry Pintor: meu idolo absoluto Dante Gabriel Rossetti O que você não consegue mais ouvir: Two Witches Filme que você queria ver agora, sem ter visto antes: Vanilla Sky Personagem de ficcao: Rorscharch (Watchmen) Herói: qualquer pessoa que nasca e cresca em condicoes completamente adversas, mas resolve lutar para ser uma pessoa de bem, sem "muletas" pra se justificar. Uma das coisas que você gostaria de ter e não tem: musculos definidos de bailarina Caderno Cultural: Folha Ilustrada Programa de TV: South Park + Animal Cops Lugar que gostaria de conhecer: muitos da Europa + lugares misticos do planeta, como Egito, Machu Pichu... Filosofia de vida: Faze o que quiseres, desde que nao prejudique ninguem Cena mais sexy do cinema: nao lembro de nehuma Que filme você gostaria de rever agora: Finding Neverland O que você nunca comeria: repteis Salgadinho predileto: coxinha Doce: brigadeiro + torta de limao + cheesecake Diretor: Tim Burton Quem você gostaria de namorar: sem ideia Que livro você está lendo: "Louise Brooks", Barry Paris + "Kitchen Confidential", Anthony Bourdain + "The catcher in the rye", Salinger Se pudesse escolher um rosto pra você, qual seria? Juliette Binoche Animal predileto: gato Verdura: alface Viagem que gostaria de fazer: atravessar a Europa de trem com a mochila nas costas + Caminho de Santiago de Compostela Presente inesquecível: minha maquina fotografica Amor inesquecível: tive alguns. O que nunca assistiria: luta de boxe + futebol no Maracana + qualquer coisa que envolva maus tratos a animais Livro marcante:O Pequeno Principe Canal de televisão: Animal Planet Pessoa engraçada: meu irmao Ator brasileiro: Raul Cortez. queridinho: Daniel de Oliveira Atriz brasileira: Laura Cardoso. queridinha: Ana Paula Arosio Como gostaria de morrer: dormindo Caneta: prefiro lapiseiras Medo: perder as pessoas que amo Frase: "Quem olha pra fora sonha; quem olha pra dentro, desperta." Jung Restaurante: japones Modelo: Jesus Cristo Humor: Angeli Poesia: simbolista + vitoriana Em quem você jogaria uma torta na cara: Rosinha Garotinho Pedra: lapis lazuli O maior crime: estupro Profissão que despreza: as que depredam o meio ambiente Profissão que gostaria: psicologa O que gostaria de fazer mas tem vergonha: e' segredo. Tatuagem: tenho um olho de Horus no braco, mas gostaria tambem de um dragao nas costas. Chocolate: preto, com castanhas ou coisinhas crocantes por dentro Santo: Sao Francisco de Assis Sonho: retomar minha ong de arte-educacao Show: Dead Can Dance Time: yikes! odeio futebol. Luxo predileto: nao sou pessoa de luxos. mas, se tivesse condicoes, pelo menos uma vez a cada dois meses passaria um fim de semana num spa pra relaxamento. deve ser muito bom estar cercada de pessoas cuidando de voce, fazendo massagem... Coisa deleitável: minha vida Jogo de Tabuleiro: Master Dia da semana: sabado Praia ou Montanha? montanha Coleção: nenhuma. sou horrivel pra organizar coisas. mas gosto de latas e caixas decoradas.
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| quem faz os "coitadinhos"? |
[30 Jan 2006|10:05am] |
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mood |
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discontent |
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music |
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blah |
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tem um cara que anda me escrevendo insistentemente. ele e' paquistanes, tem um ingles pior do que o meu e nao se cansa de dizer que deseja encontrar uma companheira pra casar. tudo comecou no Orkut, quando ele me adicionou dizendo estar fazendo pesquisas sobre o feminismo e que gostaria de alguma ajuda. cordialmente, respondi que o ajudaria no que precisasse. e agora e' esse inferno de emails sem conteudo e que ja' estao comecando a me irritar, principalmente porque exigem resposta rapida e se tem um coisa que eu odeio e' me sentir pressionada a fazer alguma coisa. ja' expliquei pra ele que sou casada e ocupada e nem sempre disponho de muito tempo disponivel pra internet (os emails de meus amigos reais ficam varios dias mofando pacientemente na minha caixa postal, porque eu teria que responder aos dele de pronto?).
meu marido nao ve essa historia com bons olhos, principalmente porque a coisa ta' feia pra essas bandas e com frequencia as comunicacoes sao monitoradas. ate' emails. principalmente os que vem e vao para aquela parte do planeta.
ja' pensei em parar de escrever pro individuo, mas nao gosto de ser rude - apesar de achar que pessoas educadas nao ficam pressionando ninguem a responder emails. tambem fico pensando o que o leva a fazer tanta questao assim de manter contato, ja' que nao tenho nada de especial e ja' cortei as esperancas romanticas dele. preciso pensar numa estrategia.
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ontem finalmente vi "Onibus 174", filme ja' rodado mas que eu ainda nao havia assistido. lembro-me como, na epoca em que foi lancado, esse filme dividiu opinioes e muitas pessoas julgaram que Sandro, o bandido e protagonista da historia infelizmente verdadeira, estava sendo mostrado como uma especie de heroi injusticado. o filme, em forma de documentario, e' muito bem feito, bastante humanista e mostra varios lados da questao da violencia urbana no Rio de Janeiro. o que eu nao concordo e' que, ao explorarem a origem dos Sandros, a grande mensagem que fica e' que nos, a chamada "sociedade", somos os grande culpados por isso. culpados por fingirmos que eles nao existem, por nao dar a eles oportunidades de trabalho e estudo, etc, etc.
agora eu pergunto: o que faz a chamada "sociedade"? podemos responder que sao todas as pessoas que obedecem a um sistema que dita que o certo e' voce estudar e trabalhar e cumprir com suas leis para que se mantenha a ordem. voce e' parte da sociedade desde que se enquadre nesses principios basicos. ser parte da sociedade nao e' um privilegio, e' algo ate' bastante complicado em muitos aspectos. ser da "sociedade" (e se voce nao for rico nem desonesto) inclui pagar impostos, trabalhar durissimo para conseguir viver pelo menos dignamente, ir pra faculdade depois de um dia inteiro de trabalho, pegar onibus lotado, todas essas coisas que nos conhecemos bem. nao e' sua culpa se, ao parar no ponto do onibus, um moleque de oito anos cheirado vem te ameacar com um caco de vidro querendo a sua bolsa. vai fazer o que? abracar o moleque, dizer "pobrezinho" e levar pra sua casa pra dar banho e jantar com voce? a "indiferenca" do qual a sociedade e' julgada e' medo puro. nos tambem somos vitimas. nos os evitamos porque temos medo. sabemos que a culpa nao e' deles, e' de uma serie de erros que vem se arrastando decadas a fio sem serem consertados, seja la' porque, por burrice ou falta de interesse dos governantes. nossa unica culpa nesse caso e' votar mal. jogar a culpa desse estado de coisas sobre quem cumpre com seus deveres ja' virou o cliche perfeito pra se justificar a falta de vontade do poder publico em cuidar adequadamente do problema.
eu detesto paternalismo. acho que nada melhor do que imposicao de limites e responsabilidades pra se educar gente, tudo com inteligencia e amor, obviamente; passar a mao na cabeca e dizer "pobrezinhos, sao vitimas do sociedade" nunca resolveu nada e nem vai resolver. ta certo que a crianca vai pra rua porque e' pior em casa, a mae bate, o pai estupra, e e' nesse momento essencial que a acao deveria ocorrer. porque desde o momento em que eles se habituam 'a rua, a falta de regras, 'a liberdade, o poder fazer o que se quer na hora em que se tem vontade, fica complicado se habituar a qualquer ambiente onde existam regras e limites. e eles sao indispensaveis no processo de crescimento de qualquer pessoa. ninguem escolhe o caminho do mal por "falta de alternativas". nao acredito nisso. primeiro porque ja' conheci varias pessoas que tiveram vidas miseraveis, nenhum carinho dos pais e nem por isso viraram bandidos, muito pelo contrario. um dos meus grandes amigos cresceu sendo criado de mao em mao, passou ate' por instituicao, tinha tudo pra ser um revoltadinho que se justifica com um revolver na mao e e' uma das pessoas mais adoraveis e talentosas desse mundo. esta' cheio de historias assim por ai'. gente que nasce sem nada, cresce dando duro, resolve que vai pra faculdade e se forma, e ainda ajuda outras pessoas na mesma situacao. assim como o numero de filhos da classe media que saem por ai' fazendo merda esta' aumentando assustadoramente. e eles sempre tiveram de tudo! todo mundo sabe o que e' o mal e que ele sempre cobra um preco na maioria das vezes alto demais - porque a insistencia em ir por esse caminho? e' por isso que eu estou de saco cheio dessa conversa mole. fora que essa ideia do "coitadinho" tem ajudado a encher muitos bolsinhos tambem.
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| e tudo me parece pendente como um pescoco depois de enforcado |
[21 Jan 2006|09:44am] |
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mood |
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blah |
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music |
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Pessoas, Hojerizah |
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com o meu novo website no ar, estarei publicando um novo blog, provavelmente bilingue, para falar de trabalho e amenidades, nao deixando de lado, e' claro, as opinioes pessoais sobre as coisas da vida. com isso, esse livejournal deve ser transferido para outro endereco. manterei apenas as pessoas da minha lista e avisarei apenas aqueles que eu sei que me visitam com certa regularidade, ainda que nao deixem comentarios. to um pouco cansada de contar coisas sobre meu cotidiano tao abertamente. na verdade, e' ate' um pouco de paranoia, uma paranoia nao tao injustificada assim, pois sabe-se la' as intencoes de quem anda me lendo por aqui. enfim, ainda nao 'e nada certo. aviso quando as mudancas estiverem consolidadas de fato.
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eu nao gosto de meias-verdades. nao sou o tipo de pessoa que se contenta com tapinhas nas costas, elogios vazios, palavrinhas amenas pra "nao magoar". sao, na minha opiniao, pequenas demonstracoes de fraqueza. eu nunca te perguntarei se voce gostou ou nao de algo que eu tenha feito, mas se voce nao gostar, ou fique calado ou me diga abertamente. mas tome cuidado com o que vai dizer - eu sei quando a critica e' boa ou quando 'e apenas provocacao. e por favor, educacao cai bem em qualquer situacao. eu sei coisas demais, 'as vezes. sei quando voce esta' tentando desligar o telefone, quando esta' tentando fugir ou desviar o assunto, quando quer fazer algo e nao quer que eu veja/saiba. e' so' dizer, sem problema algum. nao sou do tipo que se chateia com bobagens, e voce ainda ganhara' alguns pontos. se quis sair comigo so' por uma noite, melhor dizer abertamente. jamais diga, depois, que vai ligar ou mandar email. voce ficara' para sempre na galeria dos (raros) homens corajosos que conheci na vida. sei que muitas vezes as intencoes que movem pessoas a criar pequenas ilusoes nao sao de fato ruins, e denotam muitas vezes alguma sensibilidade e tato. mas comigo elas nao funcionam direito.
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tem coisa pior que lidar com gente blase'? aquela cara de "nao vi e nao gostei", o eterno ar de indiferenca que faz voce se sentir um lixo mesmo antes de abrir a boca... o dialogo com essas pessoas se torna praticamente impossivel. nao acho charmoso ser blase'. acho e' uma puta falta de educacao.
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dia desses tava lendo no blog da Zel sobre se "sentir mal por ser bem melhor que os outros em algumas coisas". voce esta' num lugar com outras pessoas e sabe que voce e' mais inteligente ou talentoso ou whatever do que a maioria delas e isso transparece inevitavelmente e voce acaba se sentindo mal por isso. respeitadas as devidas proporcoes, acho que isso ja' deve ter acontecido com quase todo mundo. quando acontece comigo, confesso nao ser uma situacao muito facil de lidar porque eu sei (assim como ja' vi e ja' senti na pele) que existem pessoas do outro lado (o dos nao tao inteligentes ou talentosos) que reagem muito mal. eu ja' presenciei situacoes lamentaveis com pessoas cujo erro foram o de simplesmente serem mais bonitas e estilosas que as outras. acho pedante voce sair explorando suas qualidades sem mais nem menos so' pra se mostrar, mas tambem esconde-las para que os outros nao se sintam mal e voce nao se sinta ameacado tambem e' o fim. nao tem como voce fingir burrice se seu vocabulario bem cultivado e' evidente, nao tem como parecer feio se Venus te dotou de lindos cabelos vermelhos e um gosto impar pra escolher as roupas que todo mundo queria ter, nao tem como esconder a voz bonita quando aparece um violao e te pedem pra cantar aquela musica num tom dificilimo e cheia de modulacoes e que, modestia a parte, voce sabe executar muito bem. sao coisas que aparecem naturalmente e pra muita gente nem soa como uma qualidade assim tao extraordinaria. e quem nao e' nada disso, antes de pensarem em tornar a vida dos outros um inferno, seria melhor que comecassem a pensar na sua propria e descobrissem no que sao bons. porque nao e' possivel que ninguem seja tao mediocre a ponto de nao conseguir sobressair em alguma coisa. somos todos diferentes, gracas a Deus... e nao ha' nada melhor que descobrirmos como isso pode ser bom e cultivar positivamente essas diferencas.
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| epoca da inocencia |
[20 Jan 2006|05:03pm] |
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mood |
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sei la' |
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music |
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Geracao Coca-Cola, Legiao |
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180 reais (pista) pra ver o U2 no Brasil? essa gente perdeu a nocao.
eu gosto muito do U2, mas acho que nao iria, mesmo que tivesse grana. perdi o tesao pra shows, lugares apinhados de gente, empurra-empurra. minha epoca ja' passou. nao tenho mais como ficar tres horas seguidas em pe na pista pra continuar com um bom lugar (como no show do Morrissey), minha coluna grita de dor. na hora do show eu ja' to desabando, e nao ha' cachaca que segure. e', filhinhos, a idade vai chegando e a coisa complica.
agora, pra mim, so' show calminho, onde eu possa ficar confortavelmente sentada, so' beliscando uma bebidinha e aplaudindo. nada menos.
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tem uns amigos meus no Brasil achando que eu devo estar indo "a um monte de shows"... nem no Dead Can Dance, ano passado, eu pude ir. passaram longe, muito longe daqui. aqui so' tem shows de musica country, daquelas bem raiz mesmo, com velhinhos de camisa xadrez tipo festa de Sao Joao tocando banjo.
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o primeiro show que eu fui na minha vida foi aos dezesseis anos, o Alternativa Nativa. eu e meu irmao, entao com treze, gastamos toda a nossa mesada em dois ingressos cada um: um para o show do Legiao Urbana, outro para a dobradinha Capital Inicial + Engenheiros do Hawaii (perdoem-me, mas aos 16 anos a gente nao tem la' muita nocao das coisas). Maracanazinho. e la' fui eu com meu antiquissimo sobretudo preto (que nao tenho mais) pro show do Legiao. que foi, diga-se de passagem, um marco na minha adolescencia. alias, os tres shows foram muito bons, e nos divertimos horrores - sabiamos cantar absolutamente todas as musicas porque tinhamos todos os discos das tres bandas ate' entao. isso sem um pingo de alcool na ideia - nos sequer entendiamos porque as pessoas gostavam tanto de beber! isso e' que era tempo bom. e ainda achavamos que eramos rebeldes o suficiente so' por sermos alguns dos raros seres do bairro que gostavam de rock e sabiam cantar "Faroeste Caboclo".
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| de casa nova |
[17 Jan 2006|09:02am] |
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mood |
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happy |
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music |
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Electronic renaissance, B&S |
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to doida pra mudar a cara desse livejournal mas ainda nao deu. comprei dominio novo e estou empenhada em preparar o site. fiquei durante varios dias tentando encontrar um host barato e legal, e no fim optei por este aqui. ate' agora, estou satisfeitissima. tambem hesitei muito em comprar um dominio com meu nome, mas meu marido insistiu tanto que eu topei.
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e nesse fim de semana me juntei a esse site e, com apenas dois dias, ganhei esse selinho amigo:

isso porque um dos meus trabalhos foi um dos mais visitados do dia. bom, ne'?
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no fim de semana ganhei tambem uma bela de uma dor nas costas gracas a sessao de yoga da sexta feira (e a queda de temperatura, que sempre que acontece me faz sentir alguma dor pelo corpo). de vez em quando eu me machuco nas sessoes, ja' que faco sem supervisao e sem espelho pra me guiar. meus quadris ficaram como se estivessem engessados e eu nao encontrava posicao boa, seja pra sentar ou deitar.
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levantar as oito da manha e dar de cara com a casa ainda escura e' creepy.
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| dos equivocos |
[09 Jan 2006|11:49am] |
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mood |
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contemplative |
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music |
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The boy with the arab strap, B & S |
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o tempo passa rapido e eu nem acredito que, ha' um ano atras, eu estava me preparando para embarcar pros EUA com passagem so' de ida. tirando toda a chateacao burocratica, papeis, exames, vacinas, atestados, consulado, tirando a tristeza de saber que nao iria ver as pessoas amadas por um bom tempo, teve a ansiedade boa, a preparacao para a viagem, a dura tarefa de separar as coisas que viriam comigo das que ficariam... a alegria ao chegar em Miami, sem qualquer problema, a voz exultante do meu noivo no telefone publico dizendo que dentro de tres horas estaria em Cincinatti pra me buscar... logo a primavera chega novamente, e com ela meu aniversario de um ano na America. meses dificeis, esses. so' agora estou finalmente conseguindo equilibrio, estou mais confiante para me relacionar com as pessoas, dominando melhor a lingua, e mais segura com essa coisa complicada que e' o casamento.
+
os Estados Unidos nao e' a Terra Prometida que todos acreditam que seja, e, por razoes ideologicas, era o ultimo lugar da Terra que eu pensava ao menos visitar. agora, me supreendo quando 'as vezes me pego olhando pra tudo isso aqui com um certo carinho. apesar dos problemas, que nao sao poucos - e eu sinceramente acredito que dentro de alguns anos o declinio seja inevitavel - fui muito bem recebida nesse pais e e' nele que eu estou conseguindo sonhar um pouco. vejo possibilidades que eu nunca vi no meu pais de origem, e me sinto bem mais confortavel convivendo com uma cultura de civilidade e respeito a valores como o trabalho e a honestidade. como artista, encontrar o respeito e o valorizacao que eu raramente tive no meu pais de origem em uma terra estrangeira e' algo digno de nota. sei que muitos brasileiros patriotas preferiam nao estar lendo isso, mas eu nao sou de tapar o sol com a peneira.
consigo ate' enxergar pontos em comum entre o povo americano e o povo brasileiro. ha' tambem similaridades entre a forma com a qual ambos sao "domados" pelo sistema: a ignorancia que mantem as pessoas no cabresto tambem e' exercida aqui, porem de maneira diferente. no Brasil, cresce-se acreditando que se vive num pais inferior, desclassificado, dificulta-se os acessos 'a informacao e cultura, faz-se acreditar que as chances de crescimento sao infimas e que se voce conseguir sobreviver ja' esta' no lucro. aqui te dao conforto e facilidades e te fazem acreditar que a vida 'e um grande shopping center com lojas e fast-foods, alimentam o orgulho patrio e fecham seus olhos para outras realidades, e por isso o americano medio cresce sem saber muito a respeito do que ha' alem do seu quintal. sim, eles pensam que no Brasil se fala espanhol - mesmo gente estudada, pasmem - e a maioria ignora completamente, por exemplo, que o mundo esta' 'a beira de uma crise de agua potavel (mesmo meu marido, cultissimo, nao sabia disso). como no Brasil, ha' todo um trabalho muito bem pensado de desinformacao e alienacao das massas. aqui Bushes se reelegem incitando o orgulho da nacao, enquanto la' Garotinhos e Rosinhas se reelegem dando comida a um real. mas eu ja' discuti esse assunto aqui de uma outra maneira e nao quero soar redundante. e' que eu gosto de politica e de observar as sociedades, por isso acabo nao resistindo.
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mas nem era sobre sociedade e politica que eu queria falar: era sobre a forma equivocada como as pessoas enxergam os Estados Unidos da America. sejam os deslumbrados ou os anti-americanos assumidos. nada como estar em contato direto com algo para conhecer-lhe a verdade. por isso eu digo: tanto o deslumbramento quanto o anti-americanismo podem ate' ter algum fundamento, mas as coisas sao bem mais complexas do que parecem.
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transcendendo um pouquinho mais, acabo pensando em quantas ideologias e ideias deste mundo estao equivocadas. em como pessoas matam e morrem e passam toda a sua vida lutando por mentiras, ou por verdades distorcidas. no perigo que e' odiar ou amar algo cegamente. em quanta coisa deixamos de aprender so' porque fechamos os olhos para algo, por termos a mania de julgar apenas a superficie.
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e eu acho graca quando alguns amigos, imaginando que a America inteira e' uma grande Miami ou New York, comecam a me pedir pra procurar coisas surreais pra eles. acho que ninguem acredita quando eu digo que moro numa provincia onde, ha algumas semanas atras, nem se vendia bebida alcoolica aos domingos. espero que ninguem fique chateado pensando que eu estou de ma' vontade.
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| Deus does not exist |
[04 Jan 2006|08:33pm] |
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mood |
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cynical |
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music |
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Deus, The Sugarcubes |
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uma amiga minha me contou que foi demitida da empresa onde trabalhava. motivo: nao compartilhava da mesma crenca religiosa de seu patrao. sofreu pressoes, coisinhas que eu classificaria como demonstracoes explicitas de preconceito e intolerancia religiosa. dai' o caldo entornou.
religiao e' coisa muito pessoal, cada um tema sua (ou nao), respeita-se os pontos de vista envolvidos e cada um segue o seu rumo em paz. parece simples, mas infelizmente nao e'. nessa area, esse respeito pelo pensamento alheio infelizmente e' artigo em falta. cada um achando que a sua religiao e' melhor do que a do outro, querendo impo-la a todo custo e chegando a cometer coisas desse tipo. pra nao dizer as insanidades que a gente ve todos os dias nos jornais. tudo em nome de "Deus". agora alguem me explique que droga de Deus e' esse, que exclui, que condena, que manda matar. quem precisa do Diabo, afinal de contas??
eu acho importante ter uma religiao, uma filosofia qualquer que te ajude a crescer como pessoa e te impulsione na direcao de algo maior. eu cresci num meio totalmente religioso. minha mae sempre foi muito ligada em coisas sagradas e me ensinou a rezar todos os dias. tinha a minha tia macumbeira, que lia as cartas, arriava santo e tinha um altar extraordinario no quarto. cresci vendo uma das minhas avos curando todo tipo de gente e doenca, de graca, com rezas e garrafadas de ervas, enquanto a outra avo frequentemente me levava 'a missa na igrejinha de madeira perto de casa, mas tambem rezava as pessoas com um galhinho de arruda. eu li a Biblia quase de cabo a rabo quando ainda era crianca, citava passagens de cor. e' serio. so' nao cheguei a fazer primeira comunhao porque o catecismo era muito chato e eu nao gostava de ser obrigada a ir a missa todos os domingos. com esse background, dificil crescer sem qualquer ideia de algo invisivel e poderoso ao seu redor, e esse algo era magico e maravilhoso. embora eu tivesse comecado a questionar tudo muito cedo (os dogmas do catolicismo sempre me pareceram absurdos) e procurado respostas ao longo da vida, quando elas vieram nao anularam a minha ideia de Deus, mas o fizeram ainda maior e mais extraordinario. tanto que 'as vezes fica dificil entender como tem gente que nao acredita nele (e elas nao sao poucas), mas eu nao as culpo. sao anos e anos de Deus "cristao" empurrado pela goela abaixo, fica complicado para alguem com o minimo de inteligencia e bom senso aceitar algo assim. para mim, Deus e', basicamente, amor purinho. entao, qualquer coisa que va' contra essa ideia torna-se inaceitavel. e, com todo o respeito 'as religioes oficialmente "cristas" (ja' que nao ha' ma' religiao, o que ha' sao maus religiosos), nao ha' lugar na minha vida para qualquer sistema que me diga que eu nao deva me relacionar com pessoas de uma crenca diferente, invalidar suas ideias e o pior, tentar convence-las de que aquilo em que eu acredito e' que 'e a verdade e que se ela nao crer estara' condenada ao fogo eterno. ate' porque meu Deus nao cria nenhum fogo para enfiar ninguem dentro, muito menos eterno.
o pior mal do mundo e' a ignorancia. a preguica de se pegar um livro para pesquisar, estudar, entender melhor as coisas joga as pessoas em cada barca furada que vou te contar. muitas vezes, as pessoas estao tao desesperadas para se agarrar a algo, acreditar em algo que lhes de alento, que elas ignoram solenemente a possibilidade do conhecimento, com medo de que ele lhes traga decepcoes. e ele traz. ele joga a responsabilidade no nosso colo, e ninguem realmente quer isso. e' mais facil acreditar no comodo consolo da graca divina, e' so' voce dar o dizimo e ir 'a igreja regularmente. e continuar servindo de massa de manobra para um grupo de calhordas que esta' muito mais interessado em dominio politico do que propriamente em estabelecer o reino de Deus na terra. e' um jogo perverso de interesses que utiliza a miseria e o desalento das massas como forca motriz. sempre foi assim, e sera' dificil mudar enquanto as pessoas continuarem no fundo da caverna. 'as vezes eu acho ate' bem mais saudavel, inteligente e honesto nao acreditar em Deus. pelo menos na hora de se fazer besteira nao se tem uma Biblia pra esconder a cara.
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| este ano, eu morri |
[31 Dec 2005|10:38am] |
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mood |
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calm |
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music |
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Bring on the dancing horses, Echo |
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ano novo de bruxo e' em marco, mesmo assim nao fujo 'a tradicao, ja' que se constroi uma vibracao bacana em torno do planeta com tanta gente reunida em prol da vontade de ser feliz e de desejar felicidade aos outros.
esse ano, minha vida mudou completamente. comecei praticamente uma nova, ou, como gosto de dizer, morri numa vida para renascer em outra. mudei de casa, de pais, de estado civil. botei um ponto final no sofrimento de se relacionar com uma pessoa a distancia por quatro anos seguidos. deixei muita coisa ja' construida ou meio construida pra tras pra comecar tudo praticamente do zero. foi duro, sofri, pensei muitas vezes em desistir, mas aguentei firme e aqui estou, vislumbrando dias melhores, aprendendo muito, e aos poucos deixando a velha casca pra tras. eu gosto de recomecos, de desafios, nao sou o tipo de pessoa que permanece presa 'a velhas situacoes. o negocio e' olhar para o futuro e procurar ser a cada dia uma pessoa melhor.
esse ano, eu andei de aviao pela primeira vez, pela primeira vez pisei em um pais estrangeiro e conheci mais lugares diferentes do que o usual. pela primeira vez provei comida libanesa, vendi um trabalho de arte, vi a neve cair e pisei nela, vi o outono cheio de folhas coloridas que so' existia nos meus sonhos. vi mais filmes e almocei mais em restaurantes. mas nao tive dinheiro, ironicamente nunca estive tao pobre na minha vida. tambem vi mais medicos na minha frente do que o normal - e agulhas tambem, yikes.
esse ano eu emagreci seis quilos gracas ao milagre da dieta de South Beach, e consegui entrar nas calcas numero 40, o que eu jamais pensei que fosse acontecer novamente. parei de comer acucar, pao branco e mudei totalmente a minha alimentacao, o que me beneficiou em varios sentidos. diminui a bebida significativamente. comecei a fazer yoga. mas comecei tambem a ter sindrome do panico, porque as mudancas me afetaram mais do que eu consegui realmente perceber. tive tres crises e varios sintomas isolados por meses a fio. tomei tranquilizantes. pensei que fosse morrer de verdade. mas ha' quase dois meses estou vivendo uma vida normal, o que eu ja' tinha ate' esquecido como era.
esse ano eu percebi o quanto o meu individualismo exacerbado e instinto de preservacao me impedem de viver relacoes mais ricas, e comecei a direcionar minha cabeca no sentido da mudanca. nao se trata de abrir mao totalmente da minha "bolha", que pra tudo tem um limite, mas deixar de pensar somente naquilo que eu quero e necessito para mim e dividir um pouco meu mundo com outros - ou com aqueles que realmente merecem, bem entendido. percebi que muitas vezes deixei pra tras a oportunidade de dar atencao e carinho as pessoas que amo em prol do meu amado isolamento. percebi na pratica que nao ha' amor sem doacao e sacrificio, que 'as vezes e' preciso deixar que cuidem da gente tambem, que nao e' possivel ser super-tudo e auto suficiente todo o tempo. que 'e preciso, 'as vezes, deixar o orgulho de lado.
esse ano eu descobri quem sao meus amigos de verdade verdadeira, aqueles que apenas amam e nada exigem, que sabem que mesmo a distancia nada muda e nao vai mudar nunca porque ninguem precisa provar nada pra ninguem; ama-se, e pronto. descobri algumas fragilidades de algumas amizades que considerava solidas, que e' perigoso ter coisas que muitos desejam pra si, sob pena de voce levar um belo de um estereotipo pela testa ao menor "deslize". so' lamento, porque nesse mundo ninguem tem o que nao e' pra se ter e nem sempre o que parece bom e' tao facil assim de se encarar. descobri que meu olhar de raio-x tambem funciona a distancia. lamentei nao ter procurado solidificar potenciais amizades, lamentei nao ter tido mais tempo para passar com amigos recem-criados; mas fiquei feliz pra caramba quando, no inicio desse ano, uma pessoa que havia participado de um circulo de fofocas do demonio que haviam criado a meu respeito me pediu desculpas pessoalmente. passei a admirar muito essa pessoa, pela coragem de assumir um erro e se desculpar. descobri que picuinhas de familia nao valem a pena. que distancia e' um santo remedio pra se curar feridas, para enxergar coisas em tamanho grande, para se ver a vida sob um outro angulo, para se amar de forma mais madura e se valorizar o que sempre se teve, mas que nao conseguiamos enxergar por estar perto demais.
esse ano eu descobri que estou mesmo ficando velha na aparencia, que nao sou mais balzaquiana com cara de vinte e poucos, nao. e nao lamento. tudo tem seu tempo, seu valor e sua beleza. mas acho que esta' na hora de parar de usar meias listradinhas.
esse ano eu descobri que aquele papo de se apaixonar pela mesma pessoa varias vezes e' verdadeiro. e senti de forma mais intensa a bencao que os bichos sao na nossa vida, o papel sagrado deles: tudo gracas a uma coisinha cinza e peluda que entrou na minha vida pra me dar mais equilibrio e me fazer mais feliz.
nao tenho resolucoes para esse ano que chega. nao me lembro de ter feito resolucoes de ano novo alguma vez. e continuo nao fazendo. nao 'e necessario esperar o calendario mudar pra se decidir fazer algo na vida. mas ha' sim, algumas coisas que quero este ano. quero me estabelecer em minha carreira de ilustradora, trabalhar como louca, quero ter um filho, quero ter minha propria grana. quero voltar a praticar ocultismo, voltar a ler como antes, me dedicar a algum trabalho voluntario, responder meus emails com mais prontidao. quero dar mais valor as pessoas que me amam. e continuar olhando o mundo como se tivesse nascido naquele mesmo instante.
um Feliz Ano Novo pra todos voces.
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| Feliz Natal atrasado |
[28 Dec 2005|10:45am] |
nao escrevi para desejar Feliz Natal/Yule pra muita gente, por pura falta de tempo mesmo. dezembro foi um mes corrido de verdade. espero que todos voces que por aqui passam tenham tido um Natal memoravel, nao apenas materialmente, mas que alguma coisinha tenha mudado dentro de voces tambem - para o bem, logico.
e eu, que pensei que fosse derramar rios de lagrimas de saudade e tristeza no Natal, fiquei surpresa ao me sentir crianca novamente, ao sentir que toda aquela magica que o Natal tem nao morreu dentro de mim (como eu cheguei a pensar), ao ter a certeza de que eu consegui conquistar alguns coracoes por aqui tambem. tudo culpa das maravilhosas pessoas que sao agora a minha nova familia, especialmente minha sogra, que literalmente me adotou como sua "little girl", como ela mesma disse.
o Natal por aqui e' bem diferente do que estamos acostumados no Brasil. nada de farras, festas e bebedeiras (well, deve haver alguma festinha em algum lugar, mas acredito que nao seja a regra). e' uma data aconchegante, mais voltada para a familia mesmo. no nosso caso, foi quase como uma noite comum. minha sogra fez um jantarzinho legal, e depois de verem um pouco de tv todos foram para cama - enquanto eu, acorrentada pelo maldito projeto, nao pude desgrudar do laptop. na manha seguinte abrimos os presentes, todos devidamente colocados embaixo da arvore de Natal. depois de varios anos de penuria, Papai Cruel resolveu me agraciar MESMO. nao acreditei ao ver tantas caixas bonitas a minha frente, e abri o berreiro. foi realmente um Natal de surpresas.
porem, excetuando essa parte, que, apesar de deixar a gente feliz nao e' o que realmente importa, o saldo que ficou do Natal foi a certeza de estar conseguindo, finalmente, construir o meu espaco neste canto do planeta, e me sentir segura nele. nao tem dinheiro que pague nem presente de Natal melhor do que receber tanto cuidado e carinho nas minimas coisas, e a vozinha do meu sogro (que teve um derrame ano passado e nao articula mais as palavras perfeitamente) dizendo "we love you, sweetie" ha' de vir aos meus ouvidos sempre que eu me sentir sozinha e triste.
+
e sobre o projeto, consegui a proeza de termina-lo a tempo de enviar em remessa especial para entrega em 24 horas. ainda fica aquela angustiazinha de poder ter feito coisa melhor, mas so' por ter conseguido cumprir com o solicitado em tempo recorde (1 mes!!!) quando muitos outros tiveram o ano inteiro para isso, por si so' ja' e' uma vitoria enorme.
hoje nem quero saber de pegar no lapis. vou e' fazer uma faxina basica no banheiro e um almocinho decente pro meu marido, que tem sido pra la' de compreensivo durante todo esse tempo e almocado na cafeteria do escritorio so' pra nao me dar trabalho extra.
+
ah, sim! nao pedi uma camera digital de presente, por achar um pouco abusivo, mas acabei ganhando uma webcam! pode parecer bobagem pra muita gente, mas como eu nunca tive uma, nem precisa dizer que fiquei exultante com os videozinhos e as fotos toscas. sem contar que e' uma grande coisa pra minha gente do Brasil conversar comigo vendo a minha careta em tempo real. pois entao aguardem que vem muita tosqueira de webcam por ai, hehehe.
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| intervalo |
[18 Dec 2005|07:39am] |
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mood |
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calm |
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| [ |
music |
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Carol of the bells, This Ascencion |
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ficou dificil entrar aqui na semana passada. alias, ainda esta'. mas hoje, que resolvi pular fora da cama mais cedo, apesar de ter ido dormir pouco depois da meia noite, decidi esquecer um pouco a responsabilidade e vir aqui desopilar um pouquinho. aproveitei pra preparar o cafezinho sabor hazelnut que comprei ontem pra experimentar. delicia, apesar de um pouqinho fraco pros meus padroes. preciso colocar mais po da proxima vez.
+
alias, nesta terra e' dificil achar um cafe' que me satisfaca. em todo lugar e' sempre aquela agua rala e sem gosto, a nao ser que eu tenha a felicidade de encontrar um bom expresso. se eu quiser cafe' de verdade, tenho que preparar em casa. o bom e' que no supermercado voce encontra varias gradacoes de cafe', desde o mais fraquinho ate' o dark, que e' o que eu prefiro, obviamente.
+
ontem resolvi quebrar o jejum e abri uma garrafinha de Guiness. quando vi, ja' tinham descido tres. ate' que foi bom, fazia tempo que eu nao abastecia o cerebro, apesar de achar que jamais vou voltar a beber como antigamente. o panico me tirou isso tambem. eu passei a ter medo de beber, de desorganizar os neuronios e ter uma crise. e tambem, pra falar a veradde, ultimamente nao tenho lamentado muito isso, nao. milagrosamente, minha vontade de beber tem decrescido um bocado. sera' que isso e' bom ou ruim?
fico pensando o que sera' de mim quando eu for ao Brasil e dar de cara com o meu povo. sera' que acompanharei as libacoes como antes? sera' que a Skol vai descer devidamente (uma vez que estou com o paladar mal acostumado pelas stouts importadas, e, se me perdoam o esnobismo, achando a cerveja brasileira um lixo - com excessao da Xingu, obviamente)?
+
a grande responsabilidade esses dias, e', basicamente, esse projeto de quadrinhos que preciso enviar ate' semana que vem. nao e' facil. estou fazendo o trabalho de quatro profissionais, com uma deadline bastante apertada. e nunca, nunca fica bom. pelo menos, nao do jeito que eu entendo como "bom". ate' dois dias atras estava tao desesperada que pensei seriamente em desistir. afinal, projetos desse tipo podem ser enviados a qualquer tempo. so' que essa oportunidade que pintou nao pode ser desperdicada, e ca' estou eu tentando cumprir com o desafio sobre-humano. minha sorte e' que eu ja' tinha uma storyline pronta, os personagens ja' vivinhos, tudo certinho. porque a minha vida e' viver criando mundos na minha cabeca, entao essa parte nao 'e dificil: e' so' eu ir na prateleira e pegar um. decidi colorir no Photoshop mesmo, apesar de nao gostar, e nao delinear com nankim (alem de estar sem material adequado, decidi que quadrinhos a grafite podem ser mais interessantes). vamos ver o que sai.
+
alguem me salve do cd de Natal da Projekt. vicio.
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| um sonho, da janela |
[09 Dec 2005|09:37am] |
| [ |
mood |
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excited |
] |
| [ |
music |
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Collection D'Arnell Andrea, A L' Aurore Assassine |
] |
se tem uma coisa que me faz muita falta e' nao ter uma camera digital. eu queria muito poder registrar o mundo ao meu redor sem precisar esperar semanas ate' revelar o filme, escanear e mostrar. principalmente agora que posso entrar nas paisagens que so' existiam nos meus sonhos. como essa maravilha de mundo branco do lado de fora da minha janela.
a neve da semana passada foi leve, e nao chegou a cobrir nada. ontem foi o primeiro acumulo do periodo. tres polegadas, acho. fiquei boba olhando os flocos enormes caindo pesados na rua, quase sem acreditar no tapete branco que se formou rapido. quase levei um tombo nas escadinhas da frente quando fui checar a caixa de correio: estavam cobertas de gelo. fico a todo momento olhando a janela, feito crianca que ganhou brinquedo novo.
la' fora, o frio e' de nove graus negativos (celsius). quando tenho que sair de casa tenho a impressao de que meu nariz vai cair. o maximo de frio que eu ja' havia experimentado na vida tinha sido 5 graus em Itaipava. e olha que ainda e' apenas outono, ainda tem muito frio vindo por ai'. em casa, apesar do aquecedor, sao tres pares de meia, duas calcas, dois casacos ('as vezes tres) e manta. mas quer saber? eu adoro isso.
+
anteontem fui cumprir mais uma etapa da via crucis da imigracao, as impressoes digitais. foi na cidade de Louisville, que fica a uma hora e meia daqui. depois de tudo resolvido, o que foi bem rapido, resolvemos ver um pouquinho da cidade, que e' enorme. fomos ao Speed Art Museum, que e' bem bacana e e' de graca. a colecao de Egito-Grecia-Roma deles e' pequena mas bastante interessante com todas aquelas urnas funerarias e ate' um sarcofago de marmore lindissimo. queria ter um daqueles em casa. eles tem Monet, Rembrandt, Coubert, Tissot e Mary Cassat la', e, gloria das glorias, pela primeira vez vi Burne-Jones, um dos meus amados, ao vivo e a cores - infelizmente eles cometeram a heresia de colocar os dois quadros no hall de entrada, a uma altura pecaminosa. uma das coisas que eu mais gosto de observar num quadro e' a fatura do artista (fatura e' o conjunto de caracteristicas do quadro que denunciam como o artista executou aquela obra: o tipo de pincelada, material usado, movimentos da mao, etc.), e nao ter visto isso em trabalhos de um dos meus pintores preferidos foi como ter ido a um show e so' ter ouvido o som.
alias, pintores pra mim sao sagrados. a sensacao que tenho ao ver um quadro de um pintor que gosto e' a mesma de ver uma banda igualmente idolatrada. eu choro diante de pinturas, tenho impulsos de acariciar as telas como se isso fosse trazer um pouco daquele artista e daquela epoca pra mim. pena que sempre ha' olhos vigilantes nos museus, ou eu certamente o faria. acho que vou precisar de tranquilizantes o dia em que vir um Klimt ou um Rossetti de perto.
+
eu parei o Zoloft. estava tendo que pagar um preco um pouco alto demais pela calma e tranqulidade adquiridas: percebi que perdi completamente o tesao pela vida. estava fazendo tudo de forma mecanica, morta. nao tinha vontade nem de desenhar. era estranho, porque nao chegava a ser exatamente depressao. so' falta de entusiasmo mesmo. eu sou uma pessoa naturalmente apaixonada, preciso viver as coisas com intensidade. preciso criar, descobrir significados ocultos nas coisas, ir ao ceu e ao inferno em questao de minutos. essa e' a minha vida. eu estava me sentindo uma dona-de-casa comum que nada tem na vida alem de uma casa e um marido pra cuidar. daqui a pouco iria aposentar os meus cds e passar o tempo livre estirada no sofa vendo a Oprah. eu, hein.
deixa eu ir, que a mesa de desenho e o cd de Natal da Projekt me esperam.
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| certo, errado.... |
[06 Dec 2005|08:24pm] |
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mood |
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quixotic |
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obs.: post meio que politicamente correto.
ok, pode ate' ser que eu tenha sido um pouco radical no meu post sobre o onibus incinerado no Rio. na questao das drogas e tal. mas e' que eu tava tomada de emocao e revolta, e nessas horas, entre outras coisas, penso muito no que as pessoas podem fazer para diminuir isso tudo e nao fazem, por egoismo e comodismo.
nao acredito na existencia do certo e do errado. pelo menos, nao no conceito maniqueista que tentam nos empurrar pela goela abaixo. uma coisa nao e' errada porque ofende a Deus, e' contra algum codigo de regras ou whatever. pra mim, errado e' tudo aquilo que faz sofrer ao meu proximo e a mim mesma. e quando eu me refiro ao meu proximo, eu quero dizer todas as pessoas.
sou uma grande defensora da liberdade. acho que as pessoas precisam fazer o que as deixa feliz, o que tem vontade de fazer. desde, e' claro, que nao machuque outras pessoas. liberdade e responsabilidade sao inseparaveis. isso inclui usar drogas. quer fumar e cheirar, faca 'a vontade, desde que fique feliz com isso. mas eu nao sou obrigada a gostar. acho cocaina um horror, ja' vi gente amiga se afundar feio, e sei que o alcool - e olha que eu gosto de uma biritinha - pode ter efeito bem mais devastador que a maconha. no entanto, nunca vi gente vendendo a roupa do corpo, matando ou roubando pra comprar uma garrafa de cachaca, por exemplo. o problema todo e' que, pelo menos no Brasil, comprar uma droga significa sustentar o crime organizado. sei que tal afirmacao pode parecer cliche - e eu queria mesmo que fosse tao simples. por mais que exista uma corrente de moderninhos querendo subtrair o usuario de drogas da responsabilidade social, nao da' pra tapar o sol com a peneira. pois entao, na sua liberdade de usar drogas, voce esta' ferindo a liberdade dos outros de, por exemplo, ir e vir em seguranca nas ruas de uma cidade grande. e isto, a meu ver, esta' errado.
ano passado, quando fui demitida da escola onde lecionava, fui requerer o meu seguro desemprego. depois de uma pequena via-crucis para reunir toda a documentacao necessaria, fico sabendo, na mesa do funcionario, que por oito dias eu nao teria direito ao beneficio, ja' que nao havia completado os seis meses de carteira exigidos. ao deixar o predio, um tanto decepcionada, sou abordada por um senhor na calcada, que me pergunta se eu havia conseguido o beneficio. disse que nao, e ele me perguntou o motivo. logo depois, me disse que me apresentaria um fulano de tal la' mesmo do escritorio da previdencia que iria "dar um jeitinho" e eu receberia o seguro em seu valor maximo, apenas teria que concordar em dar ao tal funcionario uma porcentagem. recusei na hora. o velho me olhou, espantadissimo, insistiu. fui pegar o meu onibus de volta para casa. se eu nao tinha direito ao beneficio, nao tinha direito, e pronto. aquele dinheiro que eu receberia ilicitamente poderia, quem sabe, ser o motivo de um atraso numa aposentadoria de alguem muito mais necessitado. nao posso dizer que nao fraquejei diante da oferta - afinal estava mesmo precisando da grana. nao estou querendo dizer com isso que eu sou legal e boazinha, nao, porque eu nao sou. eu faco um bocado de coisa errada - se assim nao fosse estaria tocando harpa numa nuvenzinha qualquer. e' complicado viver neste mundo de hoje sem prejudicar alguem, direta ou indiretamente, em maior ou menor grau. mas e' que eu acredito que devemos fazer o que podemos sempre que a situacao permitir.
no Brasil, e' muito complicado tentar agir de forma politicamente correta. voce precisa viver dentro de um sistema corrompido ate' a medula; um sistema onde o normal e' a falcatrua, a maracutaia, o jeitinho. isso e' cultural. as pessoas torcem o nariz pra voce e te chamam de otario quando voce tenta "fazer o que e' certo". muitas vezes, voce acaba sendo arrastado simplesmente porque "nao tem outro jeito". voce esta' desempregado, no desespero e cheio de contas pra pagar, e um amigo do vizinho do seu tio te arruma uma vaga a qual voce sabe que esta' sendo disputada por gente muito mais qualificada e merecedora que voce - como recusar? como fazer a sua micro-empresa sobreviver aos primeiros anos, 'as taxas impostas e a tudo mais, sem um caixa dois? e' como viver numa selva. as leis nao sao cumpridas, e os piores exemplos vem justamente dos dirigentes da nacao. quem vai querer ficar sem sua parte do bolo? ou, pelo menos, como voce espera ter seus direitos assegurados? sempre achei extremamente dificil viver numa sociedade como a brasileira. eu nao tenho vocacao pra falcatrua e injustica. sou aquela pessoa chata que respeita fila, nao joga papel no chao e da' o lugar no onibus pra velhinha sentar. e' por isso que gosto de viver aqui. e' claro que a sociedade americana nao e' 100% livre de corrupcao ou injustica, pelo contrario - e onde houverem seres humanos, elas ocorrerao. mas pelo menos se cumprem as leis. e mais: o americano tem um senso inato de civilidade. fico encantada quando vou ao supermercado: e' um tal de gente parando pra voce passar com o carrinho, de "excuse me" pra la' e pra' ca' que 'as vezes chega ate' a encher. esse tipo de coisa parece simples, mas faz uma diferenca enorme. e e' justamente isso que se precisa aprender no Brasil. aprender que existe o outro, e que ele precisa ser respeitado. que os seus direitos terminam quando o dele comeca.
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| update! |
[01 Dec 2005|11:36am] |
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mood |
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cheerful |
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esta' NEVANDO!!
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| limite? |
[01 Dec 2005|10:02am] |
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mood |
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sad |
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music |
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silencio |
] |
todas as vezes que algo assim acontece, so' consigo pensar que ainda nao e' o limite, que eles podem ir ainda mais alem na barbarie. 'as vezes, eu gosto de acreditar que todo mundo, por pior que seja, tem sempre um lado bom. mas essa minha visao vacila feio diante de atos como esse. diante de pessoas que ateiam fogo a outras indiscriminadamente, pensar o que?
eu nao consigo ver uma saida para os problemas do Rio. quem sabe uma bela duma tsunami, que leve embora principalmente o Palacio Laranjeiras e toda aquela corja. a coisa chegou a um ponto tal que esta' sim, fora de controle. chego mesmo a pensar que o crime organizado ja' esta' com seus dedinhos ate' mesmo no governo do estado, porque nada explica tanta inercia e burrice. e' claro que a boa policia anda fazendo o que pode, mas 'as vezes as tentativas chegam a soar pateticas, frente ao poder que o trafico tem hoje. e' como um exercito de formigas tentando combater uma manada de elefantes.
e pensar que tudo chegou a esse ponto gracas ao egoismo de quem quer sempre ter mais, de quem nao quer perder poder. e isso nao e' caracteristico dos politicos apenas: vem de gente que vota em fulano ou cicrano porque nao quer perder o seu "emprego" ou seus privilegios. e o resto que se lasque. que as pessoas sejam queimadas em onibus todos os dias, contanto que eu nao perca a minha vaguinha, nao e' assim? sempre foram mais "uteis" os referendos do que se construir escolas. pra que povo pensante, pra perceber que o meu restaurante que serve comida a um real e' uma tentativa de te engabelar e te fazer pensar que eu sou bonzinho e mereco o seu voto? pra que voce quer saber a verdade, nao esta' tao boa a novela, o seu time nao foi campeao? o que voce quer mais da vida?
e o pozinho dos fins de semana? coisa boa, ne'? por acaso foi alguem da sua familia queimado naquele onibus? nao, ne'? entao vamos comemorar, o Rio de Janeiro continua lindo.
droga, so' tinham trabalhadores e estudantes naquele onibus! podia ser o meu onibus, quando eu voltava da faculdade ano passado, era o mesmo trajeto, 'a mesma hora. eu odeio cocaina, maconha e todo esse lixo, e poderia ter morrido. assim como morreram aquelas pessoas (entre elas uma mae com seu bebezinho). tudo por causa do maldito filho-de-papai ou filho-de-qualquer-coisa que sobe o morro pra dar a sua fumadinha e cheiradinha habitual. nada menos. (podem me chamar de careta, porque eu sou mesmo. minha cabeca e' retrograda e fechada. mortes de gente inocente, assassinatos diretos e indiretos, tudo o que fere e agride o meu proximo sao coisas que me revoltam ate' o ultimo fio de cabelo.) ou entao, legalizem logo essas porcarias, ponham pra vender na banca de jornal, recolham impostos e acabem com o poder do trafico. aproveitem e construam um "maconhodromo", "cheirodromo" ou seja la' o que for, pros idiotas se acabarem ate' os narizes virarem buracos purulentos ou os neuronios se transmutarem em po. mas como tem peixe grande se aproveitando da dinheirama do trafico, acho mais facil chover pedra.
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| e essa neve, que nao vem... |
[01 Dec 2005|08:29am] |
| [ |
mood |
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indescribable |
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music |
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I must have been blind, Brendan Perry |
] |
ha' mais de duas semanas o Yahoo Weather vem me enganando. saio da cama, corro pra janela, e nada. quando muito, uma camada fina de gelo cobrindo a grama. ja' esta' mais do que na hora, nao?
sul-americano quando vem pro hemisferio norte e' uma desgraca.
+
o Thanksgiving foi otimo. casa da sogra, o paraiso dos carboidratos e acucares. (bah. resolvi que nao vou ficar mais controlando a comida em ocasioes como essa. as tortas americanas sao otimas!) gosto muito da familia do meu marido. fiquei admirada em como eles me aceitaram bem, o carinho que sempre tiveram comigo, mesmo antes de me conhecer. ha' dois Natais eles vem me comprando presentes, que, na impossibilidade de eu vir recebe-los pessoalmente, acabaram ficando meio que esquecidos, guardados junto aos enfeites de natal. uma das tias tem varios filhos mais ou menos da minha idade, mas eles nunca deram as caras: estao espalhados pelo pais. fico, entao, sendo a cacula nas reunioes familiares. descobri que os homens mais jovens da familia sao especialistas em se casar com mulheres estrangeiras: eles tem mexicana, filipina e brasileira (euzinha), e mais recentemente, uma chinesa. queria estar com esse povo todo um dia. adoro essas misturas de racas, gente de paises e culturas diferentes reunida. acho lindo. e pode parecer uma coisa besta, mas exatamente por isso eu tenho um certo orgulho do meu nome. meu primeiro nome por si so' ja' e' universal, sem nacionalidade especifica. e meu sobrenome tem um nome espanhol, heranca da minha familia paterna, e agora um nome anglo-saxao. e' como se isso simbolizasse um dos meus ideais de mundo, a interligacao total entre culturas.
mas, voltando ao fim de semana, sogrinha resolveu que eu precisava de roupas de inverno e me levou ao shopping. voltei para casa cheia de coisas lindas, casacos, luvas, sueteres, feliz mas ao mesmo tempo um pouco embaracada, como sempre fico frente a gentilezas do tipo. como eu nao tive alianca de casamento, ela cismou que tinha que me dar um anel. e enquanto ela tentava descobrir o numero do meu dedo, eu tentava convence-la de que eu nao precisava de uma joia como a que ela pretendia me presentear. acho joias um desperdicio, prefiro que use o dinheiro para me comprar livros ou material de desenho. claro que eu nao disse isso pra ela, mas acho que consegui convence-la a mudar de ideia.
e os presentes dos Natais passados finalmente sairam das caixas. eram mais sueteres - incluindo um cor de rosa, Jesus, uma das cores da minha lista negra de roupas. mas o sueter e' fofo, foi presente da sogra e eu vou dar um jeito de usa-lo de qualquer maneira.
+
surgiu uma oportunidade e eu larguei tudo o que estava fazendo para dar inicio a um projeto de quadrinhos que estava engavetado a anos. a deadline e' apertada, eu ainda nao atingi um grau de satisfacao aceitavel com o trabalho, e sinceramente nao sei se vou conseguir cumprir o prazo, mas vamos tentando. resolvi que vou colorir no computador; embora ainda tenha reservas quanto a isso, a grande vantagem e' que voce pode deletar quantas vezes forem necessarias ate' ficar satisfeito, e eu nao tenho tempo de ficar refazendo desenhos a mao por causa de um traco em tinta que nao ficou legal.
+
minha vida com o Zoloft vai bem, obrigado. ja' passei para as 50 miligramas, e os dias transcorrem numa tranquilidade que so' vendo. quase um mes sem sintomas de panico. mas ainda nao sei se vou continuar com esse tratamento, ainda tem comprimido para umas duas semanas e eu posso comecar a reagir diferente. alem disso, acho meio patetica essa coisa de precisar de remedios para viver legal, mas preciso reconhecer que, na atual conjuntura, ando precisando mesmo. espero que nao por muito tempo, porque, alem de nao gostar de tomar nem aspirina, acho assustador pensar que eu so' estou bem por causa de uma droga de um comprimido.
+
perdi o prazo da declaracao de isento. e agora, o que sera' do meu CPF?
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| get me away, I'm dying |
[22 Nov 2005|10:48am] |
| [ |
music |
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Get me away from here, I'm dying, B & S |
] |
nao tenho tido vontade de escrever e todos os meus brinquedos virtuais estao meio que 'as moscas. os emails atrasados se acumulam, amigos comecam a reclamar. escrever para as pessoas quando o seu espirito nao esta' em estado de muita elevacao e' como estar deprimido numa festa, tendo que sorrir para que os outros nao saibam o quao miseravel voce se sente.
tive uma enxaqueca que durou quatro dias seguidos. no quinto fui ao medico, agora que tenho plano de saude. aqui os casos genericos sao atendidos por enfermeiras mais especializadas, as nurse practicioners, que podem prescrever receitas e te encaminhar par um especialista, caso voce precise. a que me atendeu foi otima, muito solicita, me ouviu durante horas e ainda elogiou o meu ingles. sai' de la' com um super remedio para enxaqueca (o que eu trouxe do Brasil, e que tomo ha' 19 anos, tinha acabado e me deixado no sufoco) e uma caixa de Zoloft. ela acha que o retorno triunfal das minhas crises de enxaqueca (elas tinham rareado muito) podem estar associados ao panico. vamos ver. estou mesmo precisando de um tratamento de verdade.
e a Morgan conseguiu derrubar a arvore de natal do meu marido. dois metros e uma tonelada de enfeites e luzes vieram abaixo em todo o seu esplendor, em plena hora do almoco. o prejuizo ate' que nao foi tao grande assim: alguns enfeites quebrados, os galhos meio tortos, mas nada que nao possa ser remediado. no entanto, o mundo ontem acabou para ele, que da' uma importancia quase doentia a esse tipo de coisa. eu entendo e respeito, mas precisava ficar daquele jeito por causa de uma arvore de natal?
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| the fox in the snow |
[14 Nov 2005|10:04am] |
| [ |
mood |
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discontent |
] |
| [ |
music |
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The fox in the snow, B & S |
] |
a arvore de Natal do meu marido tem dois metros de altura e toneladas de guirlandas, luzes e enfeites. tenho acompanhado a montagem cuidadosa desde semana passada, o que tem me causado uma melancolia estranha. nao colaboro muito, apenas observo. preferia a arvore mais sequinha, so' com as luzes mesmo, que sao lindas. principalmente os esqueletinhos transparentes e as luzinhas com agua dentro, que borbulham quando esquentam.
ha' muito o Natal pra mim perdeu a graca, e a cada ano fica mais triste e patetico. nao tem motivo especial, eu nao tenho nenhuma trauma natalino; e' so' porque eu acho que a data perdeu muito o sentido, tamanho e' o consumismo e a inutilidade. esse ano vai ser ainda pior. estou longe da familia e dos amigos queridos, e terei que esbocar sorrisos para que a familia do meu marido e o proprio achem que estou bem e feliz. nem um vinhozinho para segurar as pontas (familia protestante). pelo menos vai ter cheesecake, a melhor coisa que esta terra tem para oferecer. dieta em noite de natal nao tem vez, principalmente quando se precisa de um consolo.
+
eu cheguei a pensar que tivesse engravidado, mas foi alarme falso. as vezes acho que tenho problemas, porque nao e' possivel dar tanto mole e nada acontecer. nao queria ter filho estando com idade ja' meio "avancada", tenho medo das complicacoes de saude. mas talvez nao seja mesmo a hora, ainda. o jeito e' esperar, porque Deus e a natureza sabem das coisas.
mas mesmo que nao se tenha um filho da propria barriga, sempre se pode adotar, mais tarde. afinal, mais importante que filho de sangue e' filho de alma, ne'?
+
mandei umas fotos minhas recentes pro meu melhor amigo, o Principe. ele disse que me achou muito magra e viu um vazio em torno de mim, disse que nao parecia eu.
ele esta' certo. acho que os quase sete meses de casamento me tiraram mesmo um pouco do brilho. 'as vezes fico pensando se nasci mesmo pra essa vida. nao ha' nada de errado no meu casamento, e eu ate' que estou bem feliz. mas acho que perdi muita da minha liberdade de fazer o que quero na hora que tenho vontade, me vi com responsabilidades que nao me agradam (sim, eu odeio cuidar de casa, fazer comida, lavar a louca, odeio, odeio, do fundo do meu coracao), nao tenho pra quem ligar pra tomar uma geladinha e jogar conversa fora, minha vida boemia foi jogada no fundo do armario sem previsao de retorno. nao tenho nem tido vontade de beber: a geladeira esta' sempre equipada com as melhores cervejas e eu quase nem toco nas garrafinhas. falta-me o alimento do contato com as pessoas que enchiam a minha vida de brilho, meus amigos artistas, poetas, musicos... acho tambem que o fato de depender de outra pessoa, de nao ter dinheiro pra viver a minha propria vida, talvez seja o pior de tudo. infelizmente quem tem o dinheiro manda e, mesmo sendo ele um fofo, simplesmente nao da' pra pedir uns bucks pra ir ali no pub sozinha, ou cobrar a minha bicicleta (promessa repetida desde que cheguei aqui e que agora parece perdida no vazio). eu quero o meu work permit. agora. estou cansada de ser gente pela metade.
Fox in the snow, where do you go To find something you can eat? Cause the word out on the street is you are starving Don't let yourself grow hungry now Don't let yourself grow cold Fox in the snow
Girl in the snow, where will you go To find someone that will do? To tell someone all the truth before it kills you They listen to your crazy laugh Before you hang a right And disappear from sight What do they know anyway? You'll read it in a book What do they know anyway? You'll read it in a book tonight
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| ah, gatos... |
[13 Nov 2005|05:04pm] |
| [ |
mood |
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blank |
] |
| [ |
music |
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The boy done wrong again, B & S |
] |

nome: Morgan H. (aka Morgan LeFay, ou simplesmente "Kitty") idade: 6 meses ocupacao: dormir, brincar, cacar insetos esquisitos e sabotar o trabalho da mamae gosta: tampinhas de garrafa de leite, araminhos de fechar pacote de pao de forma, beber agua das torneiras, assistir a mamae tomando banho, puxar a vasilha de comida pela cozinha com a boca (fazendo uma bagunca dos diabos, obviamente), se esconder nos cantinhos escuros para pular nas pernas dos pais incautos, assistir das janelas os passarinhos voando no quintal. nao gosta: estranhos, spray de agua, barulho da porta da sala se abrindo, ir ao veterinario.
fotos feitas com maquininha descartavel, de qualidade mais do que duvidosa.
( meu bebe. )
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| I am not the woman you think I am... |
[06 Nov 2005|09:43am] |
| [ |
mood |
| |
mais calma |
] |
| [ |
music |
| |
Pretty girls make graves, Smiths |
] |
se tem uma coisa que eu detesto profundamente em mim sao as minhas mudancas repentinas de humor. consigo passar em segundos do mais doce nirvana existencial para as profundezas de um inferno interno cujas chamas quase consigo ver. o que me salva e' que, apesar de ser uma pessoa profundamente emocional, tenho um lado racional bem desenvolvido, o que sempre me ajuda a pensar bem e ponderar o futuro antes de fazer qualquer besteira. e' assim, eu sou um paradoxo ambulante.
+
nunca fui uma boa namorada, e acho que nao sou tambem uma boa esposa. e' claro que tudo depende de pontos de vista. mas se for mensurar pelo usual, estou longe de ser o modelo de mulher que qualquer cara deseja. no fundo, sou uma pessoa solitaria, caracteristica geralmente incompreendida. alem disso, sou uma inveterada amante da liberdade, e isso ainda nao e' muito bem deglutido pela maioria masculina. homem pode ser o doce que for, mas sempre alimentara', ainda que de forma velada, um ancestral desejo de posse sobre a mulher. sao otimos amigos. mas quando a relacao muda de estado, a coisa se metamorfosea. tive namorados que nao se conformavam com o fato de eu ter amigos homens, e abraca-los e beija-los e passar longo tempo conversando com eles. outra coisa contra a qual desenvolvi odio mortal era o compromisso de estar junto todos os finais de semana, e fazer coisas apenas juntos, os tais programinhas enfadonhos de casal. essas coisas acabavam me enjoando e minando meus namoros, que nao duravam mais que tres meses. eu que nao me atrevesse a pedir um fim de semana pra ficar sozinha, ou fazer coisas diferentes. isso tudo agravado pelo controle materno. gente, eu sou do tempo em que adolescente namorava em casa. tinha dia certo pro namorado visitar, horario pra chegar e ir embora. e minha mae nao largava do pe', controlava legal. soavam as onze badaladas, la' estava ela gritando da escada que era hora do menino ir embora. nao havia namoro que resistisse. chegou a um ponto tao insuportavel que eu passei a evitar levar meus namorados em casa. alem de constrangedor, evitava muitos desprazeres e quem sabe desse ate' uma sobrevida ao relacionamento.
acho que nunca tive namoro tao perfeito como com o meu marido. os dois a quilometros de distancia um do outro onze meses por ano, e apenas um mes fisicamente juntos, desafogando toda a ansia e fantasias acumuladas ao longo do tempo, a despedida de arrebentar o coracao, o sofrimento por algumas semanas ate' tudo voltar ao normal, 'as nossas necessarias "proprias vidas", ate' que o tempo passasse e tudo fosse realidade novamente... isso por quatro anos inteiros. estamos casados ha' quase sete meses, e eu nao sufoquei, como pensei que fosse acontecer. meu marido respeita minhas vontades e necessidades, meu temperamento miseravel e me apoia os sonhos, mesmo que, 'as vezes, nao acredite muito neles (ele e' do tipo excessivamente realista, coitado). pode ter la' os impulsos ancestrais dele, mas que nao chegam a me incomodar (claro, quando eu estou de bom humor). 'as vezes, sinto ate' um pouco de culpa por nao ser o tipo de esposa que mamae queria que eu fosse, mas assim e' a vida. fico me perguntando se as coisas teriam sido dessa forma se tivessemos vivido no mesmo pais, com um relacionamento "normal". que bom que nao foi.
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